Três segundos (poema)
Em: Nosso Castelo de Cartas, o livro (em breve)
Sempre quis nascer pássaro.
Até que um dia eu descobri como os homens voam.
Escrevendo poesia.
Nosso Castelo de Cartas
segunda-feira, 12 de maio de 2014
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Só havia você
Ela olhou para ele e sorriu
Foi só um segundo, um piscar de olhos.
E pronto, não precisava de mais nada.
O dano estava feito.
Ele olhou para ela, e ela desviou o olhar
Ficou com vergonha, como quem se esconde.
Mas sorriu
E pronto, não precisava de mais nada.
Ela olhou para ele
E foi difícil esquecer
Não sei por que
Ele olhou para ela e desapareceu
Não conseguia ver mais nada, só seus olhos
Passou a mão nos seus cabelos e se perdeu
Perdeu as mãos
Perdeu os sentidos
Perdeu a cabeça
E pronto, já estava perdido
Ela olhou para ele e o beijou
Não se arrependeu
Aí caro amigo, foi o fim.
Já não havia mais volta,
Nem estrada mais havia
Só havia você.
Foi só um segundo, um piscar de olhos.
E pronto, não precisava de mais nada.
O dano estava feito.
Ele olhou para ela, e ela desviou o olhar
Ficou com vergonha, como quem se esconde.
Mas sorriu
E pronto, não precisava de mais nada.
Ela olhou para ele
E foi difícil esquecer
Não sei por que
Ele olhou para ela e desapareceu
Não conseguia ver mais nada, só seus olhos
Passou a mão nos seus cabelos e se perdeu
Perdeu as mãos
Perdeu os sentidos
Perdeu a cabeça
E pronto, já estava perdido
Ela olhou para ele e o beijou
Não se arrependeu
Aí caro amigo, foi o fim.
Já não havia mais volta,
Nem estrada mais havia
Só havia você.
sexta-feira, 7 de março de 2014
Não são as coisas, é como você encara as coisas.
A história é
curta, mas a lição é grande.
Lá estava um
senhor caminhando tranquilamente pela rua, quando é abordado por uma mulher bem
pobre, mal vestida, provavelmente sem teto.
A mulher tem
todo um discurso previamente preparado.
- Senhor, eu não
queria incomodar, mas eu realmente estou precisando de ajuda. Eu tenho três
filhos pra sustentar e um deles está muito doente, eu preciso comprar os
remédios mas eu não tenho nenhum dinheiro. Meu filho está passando mal e eu não
consigo fazer nada. O melhor que posso fazer é pedir ajuda na rua, eu preciso
de dinheiro pra comprar os remédios.
O homem ponderou
por alguns segundos, e resolveu ajudar a mulher.
Trabalhador,
classe-média ele não tinha muito dinheiro. Mas mesmo assim tirou cinquenta reais
do bolso e disse:
- Aqui, para
ajudar a comprar os remédios do seu filho.
A mulher
agradeceu e foi embora.
Mal o senhor
andou alguns metros e encontrou outra pessoa passando por ali, que puxou papo
com ele.
- Você deu algum
dinheiro para aquela mulher? Não acredito! Você jogou seu dinheiro fora! Aquela
mulher é a maior golpista! Você perdeu seu dinheiro! Ela não tem filhos, não
tem nenhuma criança doente. Ela vai gastar tudo em drogas.
Eis que a vida
te dá um fato, um acontecimento. Isso foi o que te ocorreu, e não pode ser
mudado. Muitas vezes não temos controle sobre o que a vida nos dá.
E qual seria a
sua reação? Xingar a mulher? Correr pra tentar pegar seu dinheiro de volta? Passar
o dia inteiro chateado porque perdeu cinquenta reais?
Às vezes não temos
controle sobre as coisas que acontecem com a gente. Mas como encarar a situação
é uma escolha sua.
É como sair e
estar chovendo. Você não pode fazer parar de chover. Mas não são as coisas, é como você encara as
coisas.
Você pode pensar:
meu dia está acabado! Vou ficar todo molhado!
Ou pode pensar: Que bom que choveu, o
dia estava quente mesmo. Me molhar um pouco não vai fazer mal.
Mas fica a
pergunta. E qual foi a reação do senhor?
Ele perguntou:
- Então quer
dizer que não tem nenhuma criança doente?
- Não!
- Que bom.
E sorriu.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Amor de 13 anos
Bom
mesmo é amor de treze anos, já parou pra pensar?
Com
treze anos você podia chegar pra alguém e dizer eu te amo, quer namorar comigo?
Do nada.
Do nada.
Aí
você cresce e dizer eu te amo vira proibido.
Já
pensou virar pra alguém na rua e dizer eu te amo?
Mas como assim! Você nem conhece?
Mas como assim! Você nem conhece?
Conheço
sim, de outra vida.
Quando éramos gatos.
Quando éramos gatos.
Você
só esqueceu, mas eu me lembro.
Você
tem que se aproximar das pessoas com cuidado, se fala demais com elas, tá
enchendo o saco. Se puxa conversa, tá dando mole. Se você tenta falar com
alguém que não conhece, tá “cantando”.
Não
dá mais pra chegar no meio da rua, e falar pra alguém “Hey, quer ser meu amigo?”
Caraca que estranho. Adultos não fazem isso. Você é retardado?
Vamos
andar por aí? Tá louco! Quer me levar pra onde? É bandido.
Crescer
é muito chato.
Te
prometem liberdade, mas cadê a minha?
Quando
eu era criança eu podia chamar qualquer um na rua pra ser meu amigo. Podia
mandar uma cartinha pra uma menina que eu não sabia nem o nome e dizer “eu te
amo”.
E
hoje nada pode.
Até
falar com alguém do nada é estranho.
Bom
mesmo é amor de 13 anos. Se apaixonar perdidamente, quebrar a cara certamente.
Aí
você fica velho e já nem se apaixona mais. A vida se torna uma grande sucessão
de decepções, tudo é previsível, prevenido, precavido, precário, no pretérito,
uma porra.
Bom
mesmo é amor de 13 anos.
Quando você não pensa em mais nada. Só em estar apaixonado.
Aí você fica velho e a vida te cobra, são compromissos, afazeres, dinheiro, responsabilidades, obrigações, dinheiro, estudar, trabalhar, dinheiro, sobreviver, dinheiro.
Quando você não pensa em mais nada. Só em estar apaixonado.
Aí você fica velho e a vida te cobra, são compromissos, afazeres, dinheiro, responsabilidades, obrigações, dinheiro, estudar, trabalhar, dinheiro, sobreviver, dinheiro.
E
você se esquece até de se apaixonar.
Por alguém, por algo, por qualquer coisa, por viver.
Por alguém, por algo, por qualquer coisa, por viver.
Ai
você vira esse pedaço de máquina. Sem saber pra onde ir, sem saber onde estar,
seguindo o fluxo, mas um na multidão.
Bom
mesmo era meu amor de treze anos.
Eu escrevia cartas pra ela e dava flores. Eu dizia que a amava e nada mais importava.
Eu escrevia cartas pra ela e dava flores. Eu dizia que a amava e nada mais importava.
Meu
amor de treze anos, treze anos atrás. Disse que me amava.
Aí
a gente cresceu, a vida chegou e o amor passou.
Só vinte e seis anos, mas me sinto tão velho.
Só vinte e seis anos, mas me sinto tão velho.
A
vida te quebra em cacos, você pode até juntar,
mas remendado não é inteiro.
mas remendado não é inteiro.
Amor
de 13 anos nunca mais, fiquei velho.
Amor
de 13 anos só aquele, de 13 anos atrás.
Eu
podia voltar a falar com as pessoas no meio da rua.
Escrever
cartas de amor, fazer novos amigos.
Vou
ali ter treze anos
Jogar
videogame, me lambuzar de sorvete.
Escrever
cartas de amor.
E
ser feliz.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Paulo amava todas.
Mais uma noite
numa cama diferente. Bom dia, tomaram café juntos. Lembrava não somente do nome
dela, mas de detalhes específicos de tudo. Uma noite de conversa e Paulo já
sabia tanto sobre ela. Adoro quando você faz isso, amo o jeito como faz aquilo.
E Paulo era sincero, ele amava mesmo e não tinha medo de falar.
A sociedade baniu da banalidade essas três palavras “eu amo você”, mas Paulo era contra e dizia mesmo eu te amo. Aliás, dizia várias vezes. Disse pra Ana, pra Gabi, Bruna, Cintia, Débora na semana passada e hoje à noite pra Eliza.
Eliza sorria de orelha a orelha, parecia que tinha encontrado o amor de uma vida inteira. Mas Paulo sabia que na verdade, ela só tinha encontrado o amor dessa semana.
Paulo amava todas.
Parece mentira eu sei. A sociedade e suas teorias monogâmicas cristãs ortodoxas discordam rigorosamente de Paulo e o taxam de louco. Mas a loucura deles é a normalidade de Paulo, e vice-versa.
Gostava de assisti-las dormir. Conversas por toda a madrugada deitado na cama, contava e ouvia segredos. Sempre sincero, era tudo tão perfeito... Mas a pior das sinceridades era quando descobriam a brevidade do momento. E o que queriam pra vida toda, Paulo apenas por uma noite.
Eu a amei por uma noite. Por uma noite somente. Mas nada muda o fato que amei.
E o que todos achavam absurdo, Paulo achava poético.
Mas, e quando se pegava perdido em pensamentos. Olhando as estrelas e pensando em alguém. Qual delas estava na cabeça de Paulo?
Nenhuma delas.
Era Milena.
Paulo nunca dormiu com ela.
Ele não a via faz anos.
Se conheceram em algum lugar anos atrás, Paulo tinha 15 anos.
Se beijaram e partiram, seguiram seu rumo.
A vida foi passando. Paulo amou tantas mulheres.
Mas quando ele olhava as estrelas e pensava em alguém.
Era Milena.
Paulo amava todas.
Um dia buscou a voz da experiência e perguntou ao seu avô.
Diga-me, quantas mulheres você amou na vida?
Ah, Paulo eu conheci muitas mulheres. Beijei várias, dormi com algumas, gostei de muitas.
Mas amar, amar mesmo, só se ama uma vez na vida.
Mas Paulo.
Paulo amava todas.
A sociedade baniu da banalidade essas três palavras “eu amo você”, mas Paulo era contra e dizia mesmo eu te amo. Aliás, dizia várias vezes. Disse pra Ana, pra Gabi, Bruna, Cintia, Débora na semana passada e hoje à noite pra Eliza.
Eliza sorria de orelha a orelha, parecia que tinha encontrado o amor de uma vida inteira. Mas Paulo sabia que na verdade, ela só tinha encontrado o amor dessa semana.
Paulo amava todas.
Parece mentira eu sei. A sociedade e suas teorias monogâmicas cristãs ortodoxas discordam rigorosamente de Paulo e o taxam de louco. Mas a loucura deles é a normalidade de Paulo, e vice-versa.
Gostava de assisti-las dormir. Conversas por toda a madrugada deitado na cama, contava e ouvia segredos. Sempre sincero, era tudo tão perfeito... Mas a pior das sinceridades era quando descobriam a brevidade do momento. E o que queriam pra vida toda, Paulo apenas por uma noite.
Eu a amei por uma noite. Por uma noite somente. Mas nada muda o fato que amei.
E o que todos achavam absurdo, Paulo achava poético.
Mas, e quando se pegava perdido em pensamentos. Olhando as estrelas e pensando em alguém. Qual delas estava na cabeça de Paulo?
Nenhuma delas.
Era Milena.
Paulo nunca dormiu com ela.
Ele não a via faz anos.
Se conheceram em algum lugar anos atrás, Paulo tinha 15 anos.
Se beijaram e partiram, seguiram seu rumo.
A vida foi passando. Paulo amou tantas mulheres.
Mas quando ele olhava as estrelas e pensava em alguém.
Era Milena.
Paulo amava todas.
Um dia buscou a voz da experiência e perguntou ao seu avô.
Diga-me, quantas mulheres você amou na vida?
Ah, Paulo eu conheci muitas mulheres. Beijei várias, dormi com algumas, gostei de muitas.
Mas amar, amar mesmo, só se ama uma vez na vida.
Mas Paulo.
Paulo amava todas.
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