Nosso Castelo de Cartas

Nosso Castelo de Cartas

sábado, 1 de abril de 2017

Reescrevendo (Abr/2014) - Só havia você

Ela olhou para ele e sorriu
Foi só um segundo, um piscar de olhos.
E pronto, não precisava de mais nada.
O dano estava feito.

Ele olhou para ela, e ela desviou o olhar
Ficou com vergonha, como quem se esconde.
Mas sorriu
E pronto, não precisava de mais nada.

Ela olhou para ele
E foi difícil esquecer
Não sei por que

Ele olhou para ela e desapareceu
Não conseguia ver mais nada, só seus olhos
Passou a mão nos seus cabelos e se perdeu

Perdeu as mãos
Perdeu os sentidos
Perdeu a cabeça
E pronto, já estava perdido

Ela olhou para ele e o beijou
Não se arrependeu
Aí caro amigo, foi o fim.
Já não havia mais volta,
Nem estrada mais havia
Só havia você.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

A mais bela arte

Um dia encontrei um artista
Ele me entregou em mãos o mais belo dos pinceis, e disse:
Este pincel é mágico
Basta tocá-lo e você poderá desenhar o que quiser
Se tornará de todos o mais belo dos quadros
Nada há de se equiparar a tal beleza

Atônito, peguei o pincel em minhas mãos
Dediquei-me a somente um quadro
A mulher dos meus sonhos
O pincel em minhas mãos desenhava sozinho
Em pouco tempo já estava pronto
O quadro perfeito
A mais bela dama já criada na história da arte

Não contente o artista
Entregou em minhas mãos o mais belo lápis, e disse:
Esse lápis é mágico
Basta tocá-lo e você poderá escrever o que quiser
E se tornará de todos o mais belo dos poemas
Nada há de se equiparar a tal beleza

Maravilhado peguei o lápis em minhas mãos
Dediquei-me somente a uma poesia
A mulher dos meus sonhos
O lápis em minhas mãos escrevia sozinho
Em pouco tempo já estava pronta
A poesia perfeita
Falava da mulher mais bela já descrita
Na história da humanidade

Depois ele me deu ferramentas mágicas
E esculpi a mais bonita donzela
Entre as esculturas do mundo inteiro

Admirado eu olhava as minhas obras
E sabia que no universo não existia nada mais belo

Aí você passou do meu lado
E de repente toda arte que fiz
Tornou-se hedionda em um segundo

Mesmo com o pincel mais mágico,
O melhor lápis, as mais perfeitas ferramentas,
Ou o melhor dos artistas
Nada no universo conseguiria criar algo tão belo

Esqueci poesia, pintura, escultura
Esqueci o sol, a lua, as estrelas

As belezas do mundo inteiro
Só queria admirar você

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Reescrevendo (Mar/2011) - O Paladino Caído

Num reino antigo, próspero e belo havia um príncipe. Um paladino, guerreiro da justiça. Desde criança havia sido treinado na arte da cura e da espada. Era um guerreiro formidável. Conhecido como Licec da alma de prata, era admirado por todos do reino e onde passava todos reconheciam sua espada, seu rosto e seus cabelos prateados. Altruísta, sua bondade para com os outros era conhecida por todos.
Licec por diversas vezes entrou em combate com inúmeros demônios e sempre saiu vitorioso. Sempre, até aquele dia.
Era uma noite calma e silenciosa, Licec dormia em paz em seu castelo ao lado de sua amada princesa, o amor de sua vida.
De repente gritos, desespero, trevas. O reino inteiro estava em pânico. Dezenas de soldados caiam mortos por todos os lados do castelo. Um Lord, como eram conhecidos os mais poderosos demônios, atacava-os. Licec sabia o porquê, os Lords sempre atacavam com esse propósito, eles iam atrás dos mais poderosos guerreiros para convertê-los em cavaleiros das trevas. Ele era o alvo.
“Sou eu quem ele quer” foi o que pensou. Pegou sua espada e desceu correndo as escadarias da torre. Ao chegar lá embaixo, grande foi sua surpresa ao descobrir que o monstro já não estava mais lá. Um dos soldados o alertou:
- Ele voou até o seu quarto!
Licec voltou correndo, espada empunhada. Mas já era tarde demais, o destino já tinha envolvido suas cordas através do corpo dele e não havia mais nada que ele pudesse fazer. Ao chegar ao quarto não havia nenhum demônio lá, apenas a princesa.
- Licec da alma de prata, eu vim levar você.
Foram as palavras que saíram da boca dela.
- Não!
Um grito prolongado e desesperado, carregando nele todo o horror que havia no coração e nas lágrimas do guerreiro da alma de prata. O demônio havia tomado o corpo de sua amada.
A princesa foi ao encontro de seu cavaleiro, colocou a mão em seu rosto e disse:
- Mate-me.
Só o peso dessas palavras foram o suficiente pra derrubar sua espada e fazê-lo cair de joelhos no chão.
Um som agudo de destruição, seguido pelo barulho dos estilhaços da torre despedaçada. Com uma rajada de energia o demônio, ainda no corpo da princesa, destruiu o teto e as paredes da torre fazendo com que fosse possível ver todo o castelo daquele lugar.
Ele apontou para os soldados mortos e para o rastro de destruição que ele deixou ao passar como quem demonstra o quão grande era o estrago que ele era capaz de produzir em tão pouco tempo.
A sua escolha é simples paladino. Você pode matar sua amada e salvar o seu reino. Ou pode deixá-la viver a custo da vida de todas as pessoas dessa cidade.
-Não importa que escolha você faça, você já perdeu. Eu posso sentir... A partir do momento que minhas palavras o atingiram eu plantei a dúvida em seu coração. Meu objetivo já foi cumprido, a sua escolha é irrelevante. Você pode manter a vida da sua amada e seu egoísmo de não conseguir deixá-la partir trará por consequência a morte de centenas de pessoas e você não conseguirá lidar com isso e seu coração enfraquecerá. Ou você pode matá-la, porém mesmo salvando todas as outras pessoas, o sangue das vísceras dela nunca será lavado de sua alma. Você se culpará para sempre pela morte dela e mesmo que você tente perdoar a si mesmo com a desculpa de que a matou para salvar centenas de vidas de nada adiantará. Você nunca perdoará a si mesmo e seu coração enfraquecerá. Você já perdeu, agora faça a sua escolha, tome o tempo que quiser. Por enquanto, eu seguirei matando esses seres insignificantes como formigas que correm pra fora do formigueiro quando pisado. Algumas dezenas por vez.
Novamente o som agudo perfura o ar e uma rajada de energia atinge alguns soldados que caem mortos entre poças de sangue no chão. O que se passava na mente ou no coração de Licec era algo indescritível. Como um grande branco, um vazio. E não importava o quão forte fosse seu espírito, sua alma havia sido dilacerada. Seu corpo estava tão paralisado quanto seus pensamentos. E o demônio continua seu discurso...
- Você sabe que não há solução, sabe que é impossível me tirar do corpo da garota, sabe que eu posso matá-la quando quiser. E sabe que não fazer nada é a pior das opções. Como eu falei, o seu coração já foi atingido, seu espírito destruído e qualquer opção que você tome é irrelevante. Não fazer nada também é uma opção, assim eu só terei que matar tanto todos os cidadãos do seu reino, quanto a sua amada e neste momento seu coração estará pronto para se tornar um cavaleiro das trevas. Licec, você sabe por que os cavaleiros das trevas não temem a morte? Eles já estão mortos. Depois de hoje, sua alma, suas emoções e sua razão estarão tão abaladas que você desejará tanto ter morrido antes. Somente para não ter passado por este dia. Você lutará em meu nome, buscando constantemente nos campos de batalha seu descanso eterno. E a morte e somente ela será sua recompensa um dia. E saiba que se você tentar se matar agora, só facilitará o procedimento. Um ferimento físico é tudo que falta a seu corpo pra completar a sua transformação.
Silêncio... Destruição... Ele atacou mais uma vez.
- Licec, eu não tenho a noite toda. Já estão todos mortos, sua amada, seu reino, você. Ainda não entendeu? Vamos, mate-me! Eu destruí o seu reino, a sua amada, a sua vida! Tudo já está perdido! Onde está seu ódio? Odeie-me!  
O paladino da alma prateada pegou sua espada e fincou no peito de sua amada.
- Isso Licec. O demônio saiu do corpo dela pela sombra e materializou-se outra vez. A espada de Licec estava banhada em sangue. A princesa voltou a si, olhou nos olhos de seu amado uma última vez em vida, colocou as mãos na lâmina de sua espada e caiu ao chão. Seu corpo ensaguentando estirado no quarto com a espada fincada em seu peito. O Lord arrancou a espada do corpo da princesa, a lâmina dela tornou-se negra. Ele fincou a espada no coração de Licec e o paladino caiu de joelhos no chão.
- Cavaleiro negro.
- Sim, mestre.

- Levante-se. 

sábado, 31 de dezembro de 2016

Romances de verão (1)

John era viciado em romances de verão. Só conseguia amar por uma noite; talvez duas, no máximo, mas não mais que isso. Tinha uma queda por intensidade. Se fosse para enrolar duas ou três noites, perdia a paciência. John queria tudo para agora, se entregar de corpo e alma. Mas só por uma noite. Ou duas.
Ele dizia que foi uma reação natural do seu coração: toda vez que se decepcionava com o amor, amava por menos tempo. Ele dizia: “Eu não consigo amar menos, porque eu sou intenso demais. Mas eu não consigo mais continuar amando por tanto tempo”.
Teve uma namorada de cinco anos, uma de dois anos, uma de seis meses, uma de um mês. E agora já nem tentava mais. Namorar não era pra John. Mas seu lema era: "Que seja eterno enquanto dure. Que seja apenas uma noite, mas eu ainda amarei".                    
Até que houve aquele dia.

- Hey!
- Quanto tempo, John!

Encontrou uns amigos nos bares da cidade. Há um ano não se viam. Grande saudade. John achou ótimo revê-los. Conversa vai, conversa vem... Muitos sorrisos e alguns drinques.
Noite divertida.
Todos se despediram. Restavam apenas John e ela. Foram andando até a casa dele. Ela já ia chamar um táxi de lá. Mas, por que não uma última ice da geladeira, não é mesmo? Subiram. Conversaram pouco. O resto você já sabe. A verdade é que foi total surpresa para os dois.
Ninguém esperava.                       
Coisas loucas da vida que fazemos madrugada adentro.                       
John ficou com ela até de manhã. O relógio tocou e ele precisava ir embora.                        
Às vezes, a gente quer parar o tempo só um pouquinho, mas a vida não é assim.                       
John foi para o aeroporto e voltou para casa. Fim do mais belo romance de verão.                       
A verdade é que ele foi salvo pelo gongo, porque dessa vez ele queria encontrá-la mais de uma noite, ou duas.                       
Mas a vida é assim, nem sempre como a gente quer.
John a amou por uma noite. Apostou que ela nem notou.
Mas amou.
Até a noite acabar e ele pegar o avião rumo ao próximo romance de verão.
Até tudo passar.
Ou não.

Às vezes, simplesmente não passa.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Reescrevendo (Out/2013) - A vida é tipo andar de bicicleta

A vida é tipo andar de bicicleta.
Quando você sai da faculdade ou do trabalho, é noite e você está de bicicleta, bate o cansaço.
Você passou o dia inteiro trabalhando, estudando, ocupado e agora ainda tem que encarar a viagem de volta pra casa. Você está bem cansado e realmente não está a fim de fazer exercício e se cansar mais.
Entretanto o mais interessante de estar de bicicleta é não ter opção. Você não tem outra opção a não ser subir na bicicleta e ir embora. Vai ficar lá esperando o quê? Você não vai ser teletransportado pra casa.
Às vezes a vida te cansa, porém, é como andar de bicicleta. Você não tem opção o negócio é seguir em frente e ir embora.
Não precisa ficar pensando muito, analisando muito, quanto mais você planeja, mais é difícil. Se estiver muito frio ou muito quente, se vai demorar pra chegar, se é longe...
Sobe na vida e vai embora que rapidinho você esquece tudo.
Quando se começa a pedalar, você rapidinho esquece e percebe que na verdade nem é tão ruim assim. Aliás, é até divertido.
É só dar o primeiro passo e pronto, você já está em alguma direção.
Às vezes você fica meio confuso sem saber pra onde ir, aonde quer chegar, fica planejando demais.
Esquece isso.
Mas assim eu não sei onde vou chegar...
Não sabe?
Pouco importa.
O importante não é o destino.
É o caminho.